Uma estreia marcante: Gilberto Gil e Mia Couto no palco em Porto Alegre
Falar de cultura brasileira e da lusofonia sem mencionar Gilberto Gil e Mia Couto é impossível. Agora, imagine os dois juntos, abrindo um festival recém-lançado no coração do sul do Brasil. É assim que Porto Alegre entra no mapa dos grandes encontros culturais com a chegada do Festival Fronteiras 2025, reunindo célebres nomes da música, literatura e pensamento em português.
A programação começa já no dia 28 de maio com uma avant-première: Gil, que dispensa apresentações quando o assunto é arte nacional, se junta ao escritor e biólogo moçambicano Mia Couto para uma conversa descontraída que promete cruzar vivências, ideias e sotaques. Quem conduz o papo é Mariana Ferrão, comunicadora que sabe tirar o melhor de seus entrevistados. O encontro já é comentado por quem gosta de ver artistas e intelectuais misturando universos.
Debates, música e experiências culturais para todos os gostos
Mas a festa não para aí. Nos dias 30 e 31 de maio, o cenário é a Praça da Matriz e seus arredores – palco de tanta história gaúcha. O festival expande e ocupa espaços como o Multipalco Eva Sopher e a imponente Catedral Metropolitana. Ao todo, são mais de 40 pensadores da língua portuguesa — de escritores conhecidos a jovens intelectuais — distribuídos por oito palcos simultâneos. Você vai encontrar debates bem variados, entrevistas provocativas, bate-papos sobre temas atuais e, claro, muita troca de experiências.
O melhor? A maior parte da programação é gratuita. Tem show ao vivo para embalar o público entre uma mesa e outra, leituras de poesia que aproximam quem só conhecia os autores pelas páginas, lançamentos de livros fresquinhos e exposições para todos os estilos. A mistura cultural se completa nas experiências gastronômicas, levando comida boa e típica para o centro da cidade.
Para quem não abre mão de um acesso especial, o festival organiza ingressos premium. Eles dão direito a vivências exclusivas com palestrantes e mediadores — uma chance de conversar de perto com quem às vezes só vemos pela TV ou nas redes sociais. Esses ingressos ficam disponíveis pela internet, facilitando a vida de quem quer curtir tudo com mais conforto.
- Encontros marcantes entre nomes consagrados e novos talentos
- Atividades pensadas para ouvir, dialogar e interagir
- Momentos de lazer, cultura e reflexão gratuita no centro histórico
- Experiências exclusivas para quem busca imersão total
O Festival Fronteiras chega com aquela proposta que Porto Alegre já queria faz tempo: menos formalidade, mais contato humano e inspiração vinda de diferentes países ligados pela língua portuguesa. Quem gosta de ideias novas, arte viva e espaços democráticos já pode guardar a data e preparar o coração para um evento que promete mexer com a cidade tanto de dia quanto à noite.
Cintia Carolina Mendes
julho 15, 2025 AT 03:42Essa fusão entre Gil e Mia Couto é quase mágica. Um cara que transformou o som em revolução, outro que transforma palavras em territórios. Não é só um bate-papo, é um ato de resistência cultural. A língua portuguesa nunca foi só Brasil ou só Moçambique - é tudo isso junto, sujo de história, cheio de ritmo e silêncios que falam mais que discursos.
E o festival tá fazendo exatamente isso: tirando a cultura do pedestal e botando ela na rua, com pão na mão e sapato sujo de terra. Isso aqui é o que o Brasil deveria ser todos os dias.
Não precisa de ingresso premium pra sentir isso. Só precisa de abertura. E Porto Alegre tá aberta.
Parabéns, Fronteiras. Vocês não só organizam um evento. Vocês relembram o que é ser humano na língua que nos une.
Joseph Greije
julho 16, 2025 AT 09:06Essa coisa de festival cultural é só para intelectuais que não trabalham. Enquanto eu tô pagando conta, eles ficam ouvindo poesia. Não tem nada de errado, mas não me venha com essa de 'democracia cultural' quando o povo tá na luta real.
Flaviana Lopes
julho 18, 2025 AT 08:59Adorei a ideia de ter tudo de graça no centro! É assim que a cultura deveria ser: acessível, viva, sem filas de privilégio. Acho que isso vai inspirar outras cidades também. E o fato de ter comida típica junto? Perfeito. Cultura sem comida é só discurso.
Quem vai, leva um amigo. Quem não vai, perde uma chance de se sentir parte de algo maior.
Madson Lima
julho 18, 2025 AT 21:43Olha, eu já tava esquecendo o que era sentir orgulho da nossa língua. Não do português de dicionário, mas do que a gente fala na esquina, no ônibus, no samba, na roda de conversa com o tio que mora em Luanda. Gil e Mia? Eles não estão lá pra mostrar que são brilhantes. Eles estão lá pra lembrar que a gente também é. A gente é o que eles escrevem, cantam, respiram.
Essa festa não é um evento. É um abraço. Um abraço de 10 países, 10 sotaques, 10 histórias que se abraçam na mesma língua. E se você não sente isso, talvez você esteja ouvindo com os ouvidos errados.
Edson Costa
julho 19, 2025 AT 17:26Legal isso aí mas cadê os artistas do nordeste? Tá tudo muito sul e moçambicano mas e o que tá no interior do Ceará? E o funk? E o forró? O festival ta muito chique mas esqueceu da raiz que tá aqui no Brasil mesmo
Se vai ter graça que seja pra todo mundo não só pra quem lê livro e gosta de falar difícil
Thiago Leal Vianna
julho 19, 2025 AT 23:18meu deus que coisa linda isso aqui, eu nesse momento to pensando em como a gente esquece que a lingua que a gente fala é uma ponte entre o mundo inteiro e a gente ta tão acostumado com o que é local que esquece que o que o mia couto escreve é tão brasil quanto o gil canta
quero ir, quero levar meu irmão que nunca leu nada mas escuta samba, quero levar minha mãe que mora em salvador e nunca foi em porto alegre
isso é o que a gente precisa mais do que tudo
Maria Luiza Lacerda
julho 21, 2025 AT 13:05Outro festival de intelectuais que acha que cultura é só literatura e música erudita. E onde estão os artistas de periferia? Onde estão os MCs? Os grafiteiros? Os que fazem cultura sem diploma? Esse tal de Fronteiras é só uma festa de classe média que acha que falar português é sinônimo de ser superior.
Eu prefiro o funk na esquina.
Igor Carvalho
julho 21, 2025 AT 22:21É imperativo salientar que a integração cultural lusófona, embora aparentemente enriquecedora, carece de uma análise crítica mais profunda quanto à hegemonia discursiva exercida por certos agentes simbólicos, como Gil e Couto, que, embora legítimos, não representam a totalidade da diversidade linguística e estética da comunidade lusófona. A instrumentalização da cultura como espetáculo pode, paradoxalmente, reforçar estruturas de exclusão simbólica.
Daniel da Silva
julho 23, 2025 AT 01:21Moçambicano no palco de um festival brasileiro? E onde está o nosso orgulho? Isso é invasão cultural disfarçada de integração. Gil é nosso, ele é brasileiro, e ponto. Não precisamos de escritor africano pra nos ensinar o que é cultura. Nós já temos nossos próprios heróis. Esse festival tá virando um museu da colonização disfarçado de modernidade.
Mariane Michaud
julho 24, 2025 AT 02:43eu to chorando aqui tipo sério, isso aqui é o que eu sonhava desde criança, que a gente fosse capaz de abraçar a gente mesmo, sem medo, sem vergonha, sem precisar de diploma pra entender poesia
o gil canta e o mia escreve e a gente só precisa estar lá, sentado no chão, com um pastel na mão, e deixar a língua nos levar
por favor, me chama quando for, eu levo meu filho de 5 anos, ele já sabe o nome de todos os sons do mundo, ele só precisa saber que a gente também tem isso
Jeferson Junior
julho 24, 2025 AT 06:02É necessário, em primeiro lugar, reconhecer a relevância do evento proposto, que, por meio da articulação de figuras emblemáticas da lusofonia, promove a valorização simbólica da língua portuguesa como vetor de pertencimento transnacional. Contudo, é imprescindível que a logística de acesso, ainda que gratuita, seja devidamente regulamentada, a fim de evitar a superlotação de espaços patrimoniais sensíveis, como a Catedral Metropolitana, cuja preservação arquitetônica exige protocolos específicos de uso.